sexta-feira, 16 de maio de 2008

Emprestado

Não fui eu que escrevi, mas quando li me identifiquei imediatamente.


"Boa noite. Chegue perto. Demorou hoje! Cheguei a pensar que não viesse. Mas já que está aqui, vamos conversar. Fiquei quase feliz por algum momento. Porque hoje o dia foi bom. Saí por aí, encontrei amigos, me diverti com eles. Não é sempre que isso acontece, você sabe. Ouvi palavras gentis, pratiquei a gentileza. Dei risadas. Confesso que dei risadas até quando só queria ser gentil. Não é falsidade, é cortesia.

Conheci pessoas novas, gente que imagino que possa estar comigo em bons momentos daqui pra frente. Ou que talvez eu cumprimente por educação quando ver por aí. Pessoas que talvez eu nunca mais verei na vida, mas que me lembrarei, pelo menos por um tempo, graças ao dia de hoje. Pessoas novas. Que fascínio nos causa o desconhecido! Às vezes parece que ele guarda tudo o que sempre procuramos. Amedronta-me o medo da decepção, mais ainda o receio de decepcionar.

Gosto de passar sempre uma boa impressão para as pessoas à minha volta. Às vezes me calo, mas o silêncio, se não ajuda, tampouco atrapalha. Gosto de transmitir paz. Até quando sinto o holocausto por dentro.

Fiz hoje o que não fazia há tempos, tive bons momentos de quase felicidade. Mas não esqueci de você. Talvez por alguns instantes. Mas você parecia estar sempre lá. Quem sabe um dia me abandone, não é? Ah, duvido muito. Sei que, de alguma forma, sempre estará do meu lado. Talvez mais distante, mas nunca fora do meu alcance. Já ouviu aquela piada do chinês? Aquela.. Nossa, sou péssimo contando piadas. Mas você precisava ver meu amigo contando. Quase abro um sorriso, quase liberto meu riso. Quase. Porque tentei, mas não consegui te esquecer.

Ei, espere! Não terminei! Sei que é tarde, mas ainda nem coloquei os fones no ouvido. Veja só o que eu tenho aqui. Los Hermanos: "Bloco do Eu Sozinho". Vou já ouvir. Pelo visto você não vai embora agora, né?

Mas, sabe..Eu poderia estar dormindo ou assistindo TV. No entanto, faço algo que gosto, você me inspira. Escrevo um texto, e isso me acalma, não me faz sentir inútil. E é graças a você. Tenho que lhe agradecer.

Estive pensando, e acho que talvez você seja responsável pelos melhores momentos de reflexão. E, sem estes momentos, nem sempre conseguimos enxergar as coisas da maneira como elas verdadeiramente são. Quando esta felicidade, que sinto às vezes, não for mais ilusão, aí lhe pedirei que me deixe de lado, ao menos por algum tempo. Mas, agora, só tenho a agradecer sua companhia.

Obrigado, tristeza.

Baseado na música "Bom dia, Tristeza", de Adoniran Barbosa e Vinicius de Moraes."

Thiago Fialho

2 comentários:

Sujeito Oculto disse...

Olhos nos olhos...

thiago disse...

Olá! Td bem? É, acho que não nos conhecemos mesmo. Mas fique à vontade pra divulgar os textos. =]
Ando meio "desblogado".. mas hoje, por acaso, entrei naquele blog e li seu comentário.. hehe
bjo