quinta-feira, 30 de julho de 2009

"Quem sabe então assim você repara em mim..." (8)

Quem sabe se eu fosse mais bonita. Mais magrinha. Mais ajeitada. Não tivesse tanta preguiça de me arrumar.
Quem sabe se eu fosse mais contida. Mais controlada. Mais dona dos meus sentimentos ao invés de os meus sentimentos serem donos de mim.
Quem sabe se eu morasse ao seu lado. Se pudesse compartilhar meu dia-a-dia. Dividir meus medos e meus anseios.
Quem sabe se eu fosse mais engraçada. Matando ele de rir. Colocando um sorriso bobo em seu rosto toda vez que lembrasse de um comentário meu.
Quem sabe se eu fosse mais inteligente. Deslumbrando-o com minhas opiniões e certezas sobre o mundo.
É, quem sabe então assim, ele pudesse me escolher. Ao invés de ser o meu escolhido.

sábado, 11 de julho de 2009

Vamos bailar?

O Paço é um dos meus reustarantes preferidos daqui de Rio Branco. Lugar ideal pra conversar com os amigos antes daquela balada, tomar uma torre de chopp ao som de voz e violão, trocar bilhetinhos criativos, fazer um programa a dois, esse tipo de coisa. Mas nunca dançar. E eu achava que isso era senso comum, afinal, não existe espaço pra dançar, não existe clima de dança, não existe nada que indique que danças são realizadas naquele ambiente.
Então, por favor, alguém me explica o que passou na cabeça de um certo rapaz, em nosso terceiro encontro, em insistir nessa façanha. Apesar de todos os meus protestos e argumentos.
- Vamo dancçar?
- Dançar? Aonde? Aqui? NO PAÇO?
- É, vamo. Essa música tá muito boa.
- .... (olhando pra cara dele esperando que não tudo passasse de uma brincadeira)
- Vamo?
- Tu tá falando sério?
- To sim, tu vai ver.. se as pessoas começarem a olhar, não é por achar estranho, e sim por inveja da nossa iniciativa.
- Err.. sinceramente? Se eu to sentada aqui no Paço e vejo um casal começando a dançar o MEU primeiro pensamento vai ser : Que porra é aquela?

E vocês acham que ele desistiu depois da primeira tentativa? Não satisfeito com a minha resposta, depois de uns 40 minutos, talvez achando que me venceria pelo cansaço, se levanta e estende a mão na minha direção, faz aquela cara de sucesso e diz: Vamo dançar?
Eu simplesmente olhei pra cara dele, depois olhei pra mão, voltei pra cara dele e disse, "Senta, eu não vou dançar. Senta!" e me virei, meio ignorando pra ver se passava. Uma hora ele teve que desistir e sentar.

Fico até com dó de lembrar, porque ele tava super esforçado, super envolvido no clima, mas sabe quando a coisa não encaixa? Bem, foi mais ou menos isso... e o lance da dança só terminou de destruir o clima pra mim. Quem sabe na próxima... ou no próximo. ;)

segunda-feira, 6 de julho de 2009

O fora "educado"

Estávamos eu e minhas parceiras no crime afim de sair pra esbanjar beleza. Nos programamos, algumas (eu) mataram aula, nos maquiamos como o pedido e saímos numa quinta-feira qualquer, com um destino qualquer. Primeiro destino, Tabernas, e só cito o primeiro destino pra explicar porque já chegamos embriagadas no segundo.
Pedimos uns 2 baldes de cerveja e inesperadamente uns dos clientes do ambiente, que por acaso era conhecido da Lys, nos presenteou com algumas cortesias pra X-43. Elas valiam até meia noite e meia, e se não me engano, era meia noite e quinze.
"Garçon, por favor, a CONTAAAAA!!!"
Eu e sócia no volante, dois golzinhos pretos saíram furiosos pelo segundo distrito. A louca com o pé mais pesado que o meu (e isso é difícil hein) chegou lá bem antes que eu. Carro estacionado, corrida pelo estacionamento de salto alto, e 12:31 estávamos dentro da X. Tava até bonitinha depois da reforma, a gente nunca mais tinha ido lá. Conversa vai, conversa vem, muitas cervejas roubadas (nem me pergunte!), amigos de amigos oferecendo goles em seus drinks saborosos e a mulherada ficou mais ousada que o normal. Bem mais ousada.
Daí, que essa que vos fala avistou o ex-namorado de uma arquiinimiga dos tempos do ensino médio. Essa arquiinimiga, que antes era uma de suas melhores amigas tentou furar seu olho, o que causou maior sentimento de traição. Anyway, encurtando a história, minha cabeça alterada pelo álcool calculou que 2+5=15 e que eu deveria ficar com o rapaz. Confesso que ele não é dos mais belos, mas é bombeiro, logo, o corpitcho quebra um galho legal.
Passo n° 01: encarar o rapaz desde a entrada. Insistentemente, com direitos a cochicos com as amigas e apontadas ocasionais, com ele olhando, sim.
Resultado: nada.
Passo nº 02: abordar o amigo do mancebo, perguntando três coisas essenciais ao sucesso do plano. 1. Teu amigo é gay? 2. Ele tem namorada? 3. Ele planeja ficar com uma dessas gurias que estão no grupo de vocês? Todas as perguntas receberam um grande NÃO. O que já me deixou aliviada e preparada para o terceiro passo.
Passo nº03: abordar o alvo. Com sutileza? Não, porque sutileza não é meu forte. Pedi pro amigo dele dizer que eu queria falar com ele. O moço se aproximou e a partir dai comecei a levar meu fora.
Bombeiro: Err.. oi?
Assanhada: Oi, fulano, td bom... meu nome é Jéssica. Então, falei com seu amigo e ele me disse que você não é gay, não tem namorada e que não pretende ficar com nenhuma dessas meninas que tão com vocês. Só queria confirmar contigo se isso era verdade.
Bombeiro: Bom, é, acho que sim.. é, é sim. "Não" pras três perguntas.
Descarada: Muito beemm, então agora te resta duas opções: primeira, você pode me dispensar delicadamente como a pessoa educada que eu sei que você é... OU, pode se aproveitar de mim já que estou ligeiramente bêbada. (sorriso maroto achando essa lógica muito coerente)
Bombeiro assustado: Bom, então já que você me diz que tá ligeiramente bêbada, vou ser obrigado a escolher a primeira opção.

Sim, ele realmente disse isso. Eu ainda tentei me fazer de sóbria, e acabei levando sermão por estar dirigindo naquele estado. Mas o cheroso não satisfeito em me lavar, me sai com essa:

Bombeiro iludido: Mas agora a gente já se conhece, da próxima vez que a gente se encontrar quem sabe a gente não possa se conhecer melhor?! (sorriso de quem está certo que tá arrasando)
Assanhada com orgulho: Não mesmo. Ficar comigo hoje é uma oportunidade única na sua vida. E como você já disse que não quer, não vai surgir outra oportunidade dessa tão cedo, não se preocupe.
Bombeiro sem noção: Poxa, mas tu já tá me lavando desde agora?
Descarada sem nenhum dó do Bombeiro: Ué, tu também não acabou de me lavar? Éééégua.

E me despedi, porque vi que daquele mato não sairia nenhum coelho. (ou seria cachorro? nunca lembro desse ditado direito). Fui embora, mas não com orgulho ferido e sim com sérias dúvidas sobre o que acontece com os homens nessa cidade. Se você fica esperando, eles não chegam. Se você chega, bem, leva desculpinha na cara. Quando eu digo que sou mais macho que muito homi, tem nêgo que duvida.