sábado, 12 de junho de 2010

Estrela cadente.


Era uma daquelas noites. Saímos juntos, porém não propriamente "juntos". Nós e nossos amigos. O esforço para disfarçar o óbvio era palpável. Cada um tentava com mais afinco não demonstrar o quanto percebia a presença do outro. Mas não tinha jeito, os olhares se cruzavam inevitavelmente.
E o suspense "hoje ficamos juntos?" nunca deixava de existir. Naquela noite você dizia "não" com suas atitudes. Até porque eu sempre dizia "sim". Só dependia de você. Mas eu não poderia demonstrar como aquilo machucava. Minha resposta era a indiferença. Tinha que ser.
A noite terminou com um violão e como não poderia ser diferente, você era o tocador. Eu fiquei sentada de frente pra você. Imagina como foi dificil não te olhar a cada segundo, seus gestos, seus acordes. Fantasiar que aquelas canções eram pra mim. Tão perto e tão longe ao mesmo tempo. Meu coração ficou apertado, imaginando que todos a nossa volta poderiam ler a dor nos meus olhos. Decidi ir embora.
Na despedida abracei todo mundo. Será que alguém percebeu que o seu abraço durou uns bons segundos a mais? E você, percebeu? Será que eu imaginei que você me apertou mais do que devia? Provavelmente sim. Por que você faria isso, afinal?
Chegando em casa, a máscara caiu. A dor finalmente pôde extravasar pelos meus olhos. As lágrimas escorriam sem compaixão. Sem freio.
Me revoltei. Amar não devia ser assim. Não devia ser aquela constante tortura. Olhei pro céu. Eu sempre olhava pras estrelas quando pensava em nós dois. Mas naquela noite meu olhar procurava algo acima, no divino. Pedi a Deus que terminasse com aquilo. Confessei que minha resistência tinha chegado ao fim. Tira isso do meu coração, eu disse. Não suporto mais querer alguém a ponto de esquecer de mim.
E enquanto eu pedia pela minha libertação algo me distraiu. Algo brilhante riscou o céu. Minha primeira estrela cadente. A crença diz que você precisa fazer o pedido enquanto ela ainda está caindo, certo?
E eu fiz. Foi tão rápido. Na verdade meu coração fez. E, contrariando tudo o que eu acabara de implorar a Deus, ele pediu a única coisa que queria nesse mundo, a mais impossível de todas: você. Independente da distância, da sua frieza, do meu orgulho. Independente da razão, do bom senso e do passado. A única coisa que o faria feliz. Verdadeiramente feliz.

Logo eu, que nunca acreditei em estrelas cadentes. Hoje eu sei, elas funcionam.



Feliz dia dos namorados, meu amor.

Um comentário:

Lucas disse...

que bom que elas funcionam =]
Te Amo